Enchentes e saúde mental
Antes das enchentes de 2024, já acompanhávamos essas famílias. Agora investigamos como o desastre entrou em suas trajetórias de saúde mental, nas relações familiares e no desenvolvimento das crianças.
Um desastre não começa do zero
Um desastre acontece em um momento, mas seus efeitos entram em histórias que começaram antes.
Desde 2019, a Coorte Rio Grande acompanha saúde mental, relações familiares e desenvolvimento de mães e crianças. Isso permite investigar as enchentes de 2024 não apenas como um acontecimento isolado, mas como parte de trajetórias que já vinham sendo observadas ao longo dos anos.
O que queremos entender
Saúde mental materna
Como diferentes níveis de exposição às enchentes se relacionam com trajetórias de depressão, ansiedade e estresse.
Saúde mental infantil
Como a experiência das enchentes e a saúde mental familiar se relacionam ao comportamento e ao bem-estar das crianças.
Parentalidade e relações familiares
Como práticas parentais, ajuste familiar e relações entre mães e filhos podem mudar em contextos de maior adversidade.
Desigualdades e recursos sociais
Como renda, escolaridade, redes sociais e outras condições sociais podem modificar a forma como as famílias atravessam o desastre.
Nem todas as famílias foram afetadas da mesma forma
Para compreender os efeitos das enchentes, não basta separar famílias entre "afetadas" e "não afetadas". Investigamos diferentes formas pelas quais o desastre entrou na vida cotidiana.
Território
Onde a família vivia e como a localização da residência se relacionava às áreas atingidas pelas enchentes.
Deslocamento
Se a família precisou sair de casa, por quanto tempo e onde permaneceu durante esse período.
Perdas
Danos à residência, dificuldades para retornar para casa e perdas materiais associadas à enchente.
O que o tempo nos permite enxergar
A Coorte Rio Grande 2019 nos permite comparar o estado atual das mesmas famílias com o que já sabíamos sobre elas — antes do desastre.
As mães vêm sendo acompanhadas repetidamente em diferentes momentos da infância de seus filhos. Isso permite estudar saúde mental e relações familiares antes e depois de acontecimentos que transformaram a vida cotidiana, como a pandemia e as enchentes.
O novo acompanhamento amplia essa história ao observar novamente saúde mental materna, saúde mental infantil e parentalidade no período posterior às enchentes.
Conheça a Coorte Rio Grande 2019 →Um olhar sobre as interações cotidianas
Além dos questionários, a proposta prevê um subestudo para observar interações entre mães e crianças em situações cotidianas.
Registros audiovisuais poderão ajudar a explorar se experiências como deslocamento e maior exposição às enchentes se relacionam a formas de interação e práticas parentais entre mães e filhos.
A ideia é aproximar o que as famílias relatam do que acontece nas interações do dia a dia.
Conheça nossa abordagem de visão em primeira pessoa & IA →O que este estudo pode acrescentar
Entender quem foi afetado e de que forma
Ir além de "afetado" e "não afetado" para compreender como território, deslocamento e perdas se combinam nas experiências das famílias.
Reconhecer trajetórias de maior vulnerabilidade
Investigar como condições anteriores e experiências durante o desastre se relacionam à saúde e à recuperação das famílias ao longo do tempo.
Ajudar a preparar respostas futuras
Produzir evidências que possam contribuir para pesquisa, cuidado e planejamento diante de futuros desastres climáticos.
Possibilidades de colaboração
O projeto está aberto ao diálogo com pesquisadores e instituições interessados em saúde mental, curso de vida, epidemiologia de desastres, mudanças climáticas, parentalidade e saúde infantil.
Propor uma colaboração